Postagem Inaugural – Manifesto

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Esta é a postagem inaugural. Um manifesto pessoal que motivou a criação do Sétimo Andar. A princípio, um tema que será de maior utilidade aos moradores da cidade de São Paulo, que têm conhecimento de causa sobre o assunto. Adiante, pode ser  adotada a base de pensamento e ser aplicado em outras situações. Confira.

Mesmo se, por acaso, o leitor não for usuário assíduo deste transporte, este ideal não deixa de valer e de se permitir a ser divulgado.


MANIFESTO-CONVOCAÇÃO AOS USUÁRIOS DO SISTEMA METROVIÁRIO DE SÃO PAULO

Este é um manifesto a respeito da funcionalidade do sistema metroviário paulistano, do ponto de vista do comportamento dos usuários. É tomado o exemplo da região leste, mas o alvo é o transporte como um todo. O resultado aguardado é que o sistema metrovário de São Paulo administre o fluxo de maneira a equilibrar o número de pessoas por vagão, terminando com o grave problema da superlotação.

1. A equação

Na última década vemos a superlotação dos veículos, devido ao grande fluxo de passageiros em direção ao centro da cidade e aos pólos empresariais durante a manhã, e em direção à periferia e bairros residenciais durante o final da tarde e a noite.

O mesmo ocorre com os veículos nas ruas da cidade, mas este manifesto é direcionado para as linhas de metrô.

Não há um dia em que, passando um tempo em uma plataforma de embarque da região leste de São Paulo, não se ouça reclamações sobre os trens que param no meio do circuito, a falta de espaço dentro deles, o atraso no trabalho…

A equação do problema da superlotação se desenha assim:

É fato que há mais pessoas do que os trens comportam nos horários de pico (manhã e final da tarde), causando superlotação em alguns trens; os usuários insistem em embarcar, dificultando o fechamento das portas, que pode causar atraso na partida dos trens e acumular usuários nas plataformas de embarque; os usuários acumulados nas plataformas tendem a sofrer/provocar incidentes, como queda de objetos na linha, queda de usuário na linha, atrasando a chegada dos trens nas estações; em alguns casos de trens ou plataformas superotados, ocorre desentendimento entre usuários, resultando em discussõe, agressões, e o acionamento do corpo de segurança do metrô, causando atraso na partida dos trens.

Parte dos problemas são causados por usuários, mas parte pelo sistema, por exemplo o planejamento, na estação Brás, onde há interesse dos usuários de duas linhas embarcarem um uma, entrando o fluxo de pessoas em colapso. Este é um problema muito difícil de ser administrado por parte dos operadores de plataforma e gerentes de estação, com o número de trens que temos hoje (que é um número suficiente) e o número de linhas (este sim é um número preocupante de tão baixo para uma cidade como São Paulo).

2. Prevenção e reação

Vendo o lado profissional do sistema, deveria ter sido feito um estudo, uma projeção para que o metrô se preparasse para os dias de hoje. Isso, há 15 anos atrás, pelo menos. Agora já não adianta, só dá para correr atrás do prejuízo. Imaginamos os operadores fazendo relatórios para os gerentes, estes, repassando as informações para um coordenador geral de fluxo de pessoas, e então é realizado uma reunião com a diretoria e o governo, para em seguida (e não com muita demora) ser proposta uma solução, um planejamento.

O fato é que em alguma dessas etapas, algo não foi concretizado, por burocracia ou negligência, ou não estaríamos passando pela situação atual.

Naturalmente, o comportamento dos usuários é de reprovação, mas deveria ser de indignação. Existem os usuários que reclamam, mas também fazem parte do grupo dos que reforça a superlotação entrando em um trem já lotado, portanto reclamam de uma situação da qual também são provocadores; e existem os usuários que, hipoteticamente, por não precisarem cumprir um horário estrito em seu compromisso, aguardam a liberação de um trem vazio a partir de uma estação não-terminal, proveniente de manobra do sistema. O primeiro é o reprovador, o segundo o indignado.

O ponto onde este manifesto pretende chegar é: sejamos todos indignados.

A palavra é esta, “indignado”, pois devemos exigir “dignidade” no direito de utilizar um transporte com o mínimo de conforto (aliás, este transporte é PAGO, e não é barato). Este manifesto não reclama que todos os usuários devem ser transportados sentados, mas que ao menos não sofram lesões físicas ao utilizarem o meio de transporte. Pagar para ser lesionado é inadmissível.

Muitos passageiros são transportados em pé, mas o número de pessoas por vagão em uma manhã, na linha leste-oeste, partindo da estação Corinthians-Itaquera em direção ao centro chega a tal que muitos não conseguem mover-se, mover as pernas ou mover os braços em certo ponto do trajeto, por causa do acúmulo de pessoas nos trens (logo mais será citado este, o caso da estação Brás).

As obras para ampliação de linhas iniciaram-se em 2009 (repare que, assim sendo, entram em fase áurea em 2010, ano de eleições), mas o tempo para o Plano de Expansão ser concluído é longo. Até lá, é provável que a demanda aumente ainda mais, e o planejamento fique sempre atrasado em relação à demanda, até a chegada do caos, em números.

Se por um lado o sistema é ineficiente, por outro os usuários e cidadãos aceitam serem tratados da maneira como são. Se não foi feito o planejamento de 15 anos atrás para prover dignidade ao cidadão, ele deve EXIGIR. Ressaltamos que não seriam necessários queima de vagões, passeata, invasão do Palácio do Governo.

Novamente, este manifesto pede: sejamos todos indignados.

Devem esquecer o relógio, mesmo aqueles que têm horário em seus compromissos (observamos que devem ser poupados deste procedimento profissionais da área da saúde, policiais, corpo de bombeiros, e outros de caráter emergencial).

3. Efeitos

A partir do momento em que os usuários NÃO aceitarem serem transportados por um trem lotado, terão de aguardar um trem com o mínimo de conforto para embarcarem. Assim, sendo feito, a plataforma de embarque ficará mais abarrotada do que a média, mas a intenção é que isto tenha dois efeitos, vamos usar as palavras seguintes: um físico, outro econômico.

O efeito “físico” é um efeito cascata. Quem não entra nos vagões dos trens lota a plataforma de embarque, e assim não será possível a entrada de usuários pelas catracas, o que levará as filas até as ruas, chamando a atenção de todos os cidadãos, mesmo os que não são usuários do sistema, e dos meios de comunicação, que têm dificuldade de realizar coberturas de eventos dentro do sistema metroviário.

O efeito “econômico” é o de que os setores comércio, indústria, negócios e serviços serã desfalcados e sofrerão um choque com a falta de trabalhadores na cidade. Os empresários, donos das indústrias e comerciantes nem precisarão questionar seus funcionários sobre o atraso: estará tudo disponível em TVs, rádios, internet e jornais. Será de interesse deles, então, que o sistema funcione de maneira correta, e o poder público tende a ouvir as reivindicações deste cidadãos, pelo desenvolvimento particular da cidade do qual são responsáveis.

É uma segunda equação, bastante simples: o usuário promove o colapso do sistema, ao invés do próprio colapso; o mau funcionamento do fluxo é desmascarado; a base do progresso da cidade (trabalhadores) não consegue atuar, afetando os empresários, indústrias e comerciantes; estes e os sindicatos batem de frente com o poder público, que precisa resolver o problema, obrigatoriamente.

4. Observações

Cabem algumas colocações sobre a disciplina deste procedimento:

– Os usuários não devem superlotar propositalmente a plataforma de embarque se houver espaço disponível nos vagões;

– Os idosos, gestantes, pessoas com restrição de mobilidade ou com crianças de colo têm prioridade de embarque e de assento nos trens. Nenhum ponto deste menifesto pretende alterar esta regra, pois ela faz parte dos princípios de dignidade e cidadania;

– Reforçando: devem ser poupados e embarcados com preferência profissionais da área da saúde, policiais, corpo de bombeiros, e outros de caráter emergencial

– Não devem ser pronunciadas palavras ofensivas e/ou provocações direcionadas a qualquer funcionário do metrô, ou de empresa terceirizada pelo metrô. Se há alguma falha por parte do corporativo, ela deve vir à tona através dos efeitos físicos e econômicos, segundo intenção deste manifesto;

– Não deve ser danificado nenhum patrimônio do sistema metroviário da cidade, pois ele foi adquirido através do dinheiro do próprio cidadão;

– Em caso de questionamento por parte do corporativo do metrô, indica-se que o usuário apenas responda que está aguardando um espaço para embarcar. Se for oferecido um vagão com excesso de passageiros, deve o usuário negar-se a entrar;

– Mesmo sob avisos dos funcionários sobre possível parada do sistema, ou se surgir ameaça por parte destes ou por parte de corpo policial, não deve reagir o cidadão. Em caso de prisão por agressão verbal ou física, os manifestandos não devem se comover com a situação ou defender o que for detido, pois este fugiu às intenções do manifesto;

– Se houver situação atípica (confronto ou ameaça aos manifestandos), procure, com prioridade, uma maneira de registrar o ocorrido por vídeo ou foto.

5. Comentários

É uma situação triste a de que seja necessário um plano para colocar à prova um sistema de servidão pública, que é de interesse de todos os cidadãos para o progresso da cidade. É, também triste, que haja por parte de alguns cidadãos (lembrando que governantes também são, antes de tudo, cidadãos) não tenham a visão de sociedade na qual estão inseridos, e se corrompam tão facilmente, trocando o bem-estar coletivo, por um mal-estar solitário de ser o único beneficiado, recebendo uma gratificação por um trabalho não-executado, sem poder compartilhar uma experiência com a sociedade.

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