Duas dimensões: tempo e espaço

Mãe: Filha, veja esta foto. É de 62. São o seu pai com os amigos. Dá pra ver qual deles é seu pai?

Filha: Deve ser esse, pelo corte de cabelo.

Pai: É, sou eu mesmo.

Filha: Não mudou nada, hein pai?

Há uma imensa satisfação em olhar uma foto antiga e poder contar uma história. Talvez várias. Quem sabe contar sobre como as coisas funcionavam no passado. Quem era o cantor mais famoso da época, o prefeito que aprovou uma lei muito importante, como foi a chegada da televisão no país, qualquer coisa assim.

Até agora, resgatando material do passado, seja em jornais, revistas, fotos, filmes ou vídeos caseiros, temos a noção da época de origem das coisas. Agora imagino meus descendentes, quando olharem uma foto de minha época, que ficou salva em algum pen drive ou está em um site meu, de amigos, como reagirão? As fotos não sofrerão envelhecimento. Agora tudo é digital. Onde ficará a noção de tempo? Talves devêssemos nomear as fotos com datas para que não se esquecessem.

Afinal, a mudança foi para melhor? Acho que não. Se você já mandou revelar uma dessas fotos tiradas em câmeras de 3, 4 ou 7 megapixel, olhe-a bem de perto. Por melhor que seja a definição, dá pra ver os quadradinhos – os famosos pixels – formando a imagem. O rosto das pessoas tem um pouco daquele “serrilhado”.

O filme de prata era bem melhor para as fotos de férias, casuais. Existem câmeras digitais profissionais, que são usadas para fotos publicitárias, e tais fotos são impressas em gráficas também profissionais, e tudo fica bonito de novo. A tecnologia da foto digital, aplicada aos produtores de imagem, foi um largo passo adiante. Mas o conceito devia ter parado por aí. Para o uso popular, é só um “fogo de palha” e grandes companhias querendo vender muito.

Adicione o fato de que o digital permite aprovar a foto antes de lavá-la a uma “revelação” (que deve se chamar “impressão”), o usuário sai por aí capturando tudo que é imagem, e deixa só o que achou bom. A preparação da foto perdeu o valor. Aprendi que um dos valores da fotografia era registrar um momento específico e garantí-lo para sempre. Agora tem dois, três, vários momentos pra escolher.

Os cinéticos

Em uma TV widescreen de 32 polegadas, se você assiste a TV aberta ou por assinatura, que seja na resolução convencional, tudo fica cheio de borrões e quadradinhos. Assisti a uma TV de tubo de 20 polegadas exibindo o mesmo conteúdo, e tudo estava perfeito. Também já vi uma outra com um tubo tela um pouco maior, e o resultado era bem mais satisfatório do que os aparelhos magrelas que temos hoje. Note que não estou tratando de HD. O dia em que HD for para todos, será estabelecido como um padrão, e então deverá receber o nome de SD (Standard Definition)

E os filmes? Hoje tudo é produzido em alta definição, mas haverá um limite? Sim, o dos nossos olhos. Haverá uma tela tão grande e tão cheia de leds, que não conseguiremos olhá-la por inteiro de uma vez, mas por partes. Assisto em cima, depois mais para baixo, aí inclino para a esquerda, mas a tela inteira, não poderei ver.

Em uma discussão sobre o conceito do 3D, Walter Murch deixa sua posição clara. “…a good story will give you more dimensionality than you can ever cope with…”

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